segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O fator religião.


O fator religião.
Se supormos um início para o ser humano com características semelhantes as atuais vamos remontar a uma data aproximada de 1 milhão de anos. Juntamente com essa origem e ainda que sutilmente, detecta-se uma certa referência à religião, nesse caso entendida como algo sagrado, ou ainda, pegando pelo lado da etimologia re-ligare ou religio e acrescentando, religar a algo, a alguma coisa que acredita-se existir, ao sagrado, etc. Essa idéia, essa convicção, chega até nossos dias com uma influência difícil de ser negada.
Então, podemos dizer que a religião sempre esteve presente com o ser humano. A ciência que chamamos de moderna surgiu aproximadamente no século XVII, e de lá para cá veio ganhando espaço e se afirmando como um ramo do conhecimento mais confiável e capaz de explicar quase tudo.
Exímios pensadores e cientistas materialistas (no sentido filosófico) criaram teorias que desprezam a religião, ou pelo menos a colocam num plano inferior. E apesar de muitos pensadores, cientistas e estudiosos darem um certo valor à religião os primeiros tiveram mais aceitação no mundo científico.
Claro que nossa discussão leva-se em conta a nossa sociedade ocidental, que apesar de ser a que mais influencia o mundo não é a única. Bom, queremos chegar ao ponto que dizer que a religião não tem a mesma aceitação que tinha há 200 anos. Parece que a ciência domina o cenário do conhecimento, a forma científica de pensar é predominante, mesmo não sendo absoluta é uma maneira de pensar, digamos, mais aceita. Neste momento partimos para outras observações e interrogações. Será que esse cenário está mudando? Será que é chegado o momento da religião ganhar um espaço que havia sido menosprezado, pelo menos pela elite pensante?
Ao que parece, sim. Se a religião for entendida como uma forma de pensar diferente da ciência, sim. Ou seja, a ciência traça um caminho e a religião outro. (Lembrando que, de modo geral, por muitos milênios não havia esta distinção).
Vamos ver mais a respeito de ambas.
A Ciência.A chamada ciência moderna trabalha basicamente com constatações, com provas. Não se pode considerar algo científico se esse algo não foi provado por várias pessoas usando o mesmo método e chegando ao mesmo resultado. Tem-se, mesmo nas ciências humanas, que mostrar o caminho trilhado para que outros possam tirar suas conclusões e confirmar ou questionar as suas.
A Religião.A religião tem um aspecto mais subjetivo, é um fenômeno que atinge o íntimo. Claro que é fenômeno social de grande abrangência onde seus adeptos compartilham das mesmas convicções. Mas, digo do motivo que leva cada um a segui-la. Motivos que, muitas vezes, vão além da imposição social. Algo que não tem nem como expressar. Um sentimento que age no interior de cada ser.
Entendendo dessa forma, vemos que há diferença. Analisando a história, notamos que tanto a religião como a ciência provocaram estragos na humanidade (a bomba atômica, a inquisição, etc). Porém, parece que no final dos anos de 1990, várias pessoas, inclusive muitos pensadores e cientistas renomados (mesmo que não fossem) começaram a perceber um vazio deixado pela ciência. Inicialmente, lembramos, a ciência seria capaz de responder a todos questionamentos, mas algo não estava dando certo.
E assim, inegavelmente começa um movimento de re-ligar as tradições religiosas começam a despertar mais interesses, uma preocupação moral (e não moralista) começa a ter mais abrangência, a posse pele posse, o mundo frenético do consumismo, os impactos ambientais dão os subsídios necessários para abordagens novas. Anuncia-se uma nova era! Como ela será, é sedo para saber. Como o mundo está não pode ficar.
A declaração de Veneza expressa muito bem isso: “o conhecimento científico, em seu próprio ímpeto, atingiu o ponto em que pode começar um diálogo com outras formas de conhecimento.” Observações deste tipo não se restringem a essa declaração. No início desse novo milênio o pensamento-conhecimento religioso atinge dimensões consideráveis.
Para uma boa parte da humanidade, somos levados a crer que uma nova era se inaugura. Sem fanatismo, sem preconceitos, sem a intenção de termos respostas para tudo. Porém, levando em conta que há uma necessidade iminente de manter um contado mais sério e apurado entre ciência e religião. Temos mais a ganhar do que a perder com essas duas formas de conhecimento caminhando juntas.

Leitura de referência:ARANTES. José Tadeu. Do Xamã ao Prêmio Nobel: são todos filhos de Deus.São Paulo: Terceiro Nome, 2005.
CHASSOT, Attico. A ciência através dos tempos. São Paulo: Moderna, 1994 (coleção polêmica)
Imagem:
Foto de Ana Jacinto Rodrigues, capturado no site Olhares - fotografias online

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