sábado, 16 de março de 2013

Sobre Deus - o transcendental.


Sobre Deus.

Uma discussão que pretenda encerrar todas as análises possíveis a respeito de Deus será infrutífera. Até porque muitos não acreditam na existência de um ser supremo, com certeza esses defendem com muita propriedade e desenvolvem complexos silogismos que justificam sua posição. São os ateus. Há aqueles que defendem que acreditar com o conhecimento que temos é impossível, não podendo, assim, provar ou contestar sua existência. São os agnósticos. E, dentre os que acreditam na existência de Deus, há uma numerosa variedade de interpretações conforme a religião professada por cada um ou conforme a cultura, ou, ainda a filosofia que se professa.

Pretende-se aqui dar uma contribuição nesse sentido. Não é convencimento nenhum é, sim, divulgação de conhecimento e de visões a respeito de Deus.
Vamos, primeiramente nos apoiar em Kant. Que mostra-nos que pela razão não podemos compreender Deus. O ser humano não consegue formar uma realidade objetiva a respeito de Deus e quando se fala em compreender pela razão pressupõem-se um conhecimento a priori, uma experiência e é justamente isso que nos falta. Tentar compreender Deus pela razão seria um uso especulativo desta: “ todas as tentativas de um uso apenas especulativo da razão referente à teologia são totalmente infrutíferas...” Kant afirma que apesar de uma certa insuficiência, deve-se conceber Deus de uma forma transcendental com métodos também transcendentais sem as condições do tempo, a onipresença sem as condições do espaço, a onipotência etc., são predicados, de que toda a teologia tanto necessita, pode ser extraído tão-somente da teologia transcendental .
Ao que parece, para Kant, nos falta os sentidos necessário para compreender Deus, porém esse pode ser compreendido com uma lógica transcendental.
Kant desenvolveu em sua filosofia um imperativo categórico, uma máxima, um código moral interno que deve ser seguido por todo ser humano “Age apenas segundo aquela máxima que possas querer que se torne uma lei universal.” O ser humano deve ter um valor intrínseco e não deve ser usado como meio.
Talvez, esses preceitos do grande filósofo alemão enceram uma excelente forma de compreender Deus vendo-o no próximo, no outro.
Do ponto de vista do Espiritismo (Kardecista) um sistema filosófico - espiritualista que adquiriu características religiosas principalmente no Brasil, Deus é: inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas essa é a resposta da primeira pergunta do Livro dos Espírito (O que é Deus), obra que deu início a doutrina em meados do século XIX, a quarta pergunta diz: onde se pode encontrar a prova da existência de Deus e vem a resposta: Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá e segue o livro, com perguntas sobre os mais variados temas sobre Deus, Universo, vida após a morte, alma, etc. Num encadeamento lógico onde as perguntas são feitas pelo codificador do Espiritismo, Allan Kardec, e as respostas (segundo a doutrina) são dadas por espíritos.
Nota-se no Espiritismo uma considerável influência dos filósofos iluministas, daí o grande apreço pela razão.
Apesar de Kant compartilhar do iluminismo vê-se que a compreensão de Deus apresenta divergência entre o filósofo e o Espiritismo. Kant acha que devemos compreender Deus de forma transcendental e o Espiritismo se apóia na razão.
Se se tem afinidade por um desses entendimentos sobre Deus, para que lado pender? Será que não temos capacidade de entender Deus pela nossa razão? Se toda causa tem um efeito uma causa inteligente (o universo, o homem, a natureza) teria que ter um efeito inteligente (Deus). Ou, para se entender Deus, falta compreender até mesmo as causas e os efeitos de forma mais apurada.
As explicações sobre Deus não se encerram com essas duas ideias expostas aqui, vai além, como já foi dito no começo. Essas são apenas duas entre tantas.
Para os que acreditam em Deus, seja lá de que forma for, tenhamos a coerência de admiti-lo como AMOR a tudo e a todos e compreensão às leis naturais e morais, não aquela moral que sofre variações com determinada cultura, mas aquela que se assemelha ao imperativo categórico de Kant, que se assemelha a muitos preceitos religiosos: “Age apenas segundo aquela máxima que possas querer que se torne uma lei universal.” Independente da convicção religiosa, não se pode negar que dessa forma a convivência social se torna facilitada.

Leituras de referência:
KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. [trad. Alex Marins]São Paulo: Martin Claret, 2003.
DURANT, Will. Os grandes filósofos – Emanuel Kant – [Trad. Maria Theresa Miranda].Rio de Janeiro: Ediuro, (?)
JOSTEIN, Gaarder; VICTOR, Hellern; HENRY,Notaker. O livro das religiões. [trad. Isa Mara Lando] São Paulo: Cia. das Letras, 2005.
KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. [Guillon Ribeiro] Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1987.

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