segunda-feira, 11 de julho de 2016

As dificuldades de se entender a caridade.


A caridade é uma ação muito mal entendida pela sociedade. Ela é confundida apenas com a ajuda àqueles que precisam, não que essa ajuda seja imprópria ou desnecessária, mas dar a quem precisa é um ato de bom-senso e não de caridade1.
Em certas situações pode-se presenciar pessoas se sentido muito bem em dar alimentos, roupas etc. a outras que não conseguem seu próprio sustento. Há pessoas muito sérias envolvidas nessas ações, as quais em determinadas circunstâncias são necessárias. Contudo, vê-se pouca análise sobre procedimentos e questionamentos para tirar as pessoas dessas condições deploráveis. Dá a entender que tal situações de penúria produz o absurdo de fazer com que outros se sintam melhores, mais bem preparado ou, ainda, diferenciado por poder ajudar. Ledo engano!
Do ponto de vista espiritualista nada é por acaso, então se alguém está com problemas socioeconômicos há motivos para isso. Em mais de 90% dos casos é o lugar e a família onde as pessoas nascem que direcionam sua vida, existe, também uma questão pessoal. Viver dignamente, então, é uma situação que envolve onde e como se nasceu com a capacidade que a pessoa tem de lidar com o ambiente socioeconômico e político.
O capítulo XV do Evangelho Segundo o Espiritismo, tem como título uma máxima para o doutrina - Fora da caridade não há salvação. Diante dela comete-se muitos equívocos, alguns graves. Pessoas de alto poder aquisitivo usam de seu dinheiro e do tempo que dispõem para ajudar os carentes, até aí tudo bem, nada contra. O problema é que muitas dessas pessoas possuem diferenças extremas com familiares, não suportam  pessoas que pensam diferente, não respeitam posições diferentes da sua, não são indulgentes com os erros alheios, não perdoam as ofensas, tratam mal e/ou exploram funcionários e depois vai fazer sopa ou entregar mantimentos. Onde está a caridade aí?
Não dá para considerar atitudes como essa como o verdadeiro sentido da palavra caridade. Interessante é que o próprio Evangelho Segundo o Espiritismo trás boas passagens sobre o assunto caridade. Por exemplo:
"A caridade é paciente; é doce e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária e precipitada; não enche de orgulho; não é desdenhosa. não procura seus próprios interesses; não se melindra e não se irrita com nada; não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.2"    
Como vemos não é nada fácil e chega ser perigoso o entendimento literal como "tudo crê" ou "tudo sofre".
Ainda no Evangelho da doutrina, há uma interessante recomendação de um espírito protetor, o qual diz:
"A caridade moral consiste em se suportar uns aos outros, e é o que menos fazeis nesse mundo interior onde estais encarnados no momento.3"
Tudo indica que se sentir bem em ajudar um necessitado configura uma suposta superioridade, a qual não temos. Há diferenças nesse planeta, mas todos nós temos uma ligação muito forte, por isso estamos aqui. A condição social pode esconder grandes lições de aprendizagem, tanto para o rico como para o pobre e o miserável.
Melhor seria suportamos mais as pessoas próximas, tentarmos aprender com elas e saber o porquê estamos próximos, escutar mais as pessoas diferentes, ter um tempo com aqueles que você possivelmente nunca vá precisar deles, entender que todos somos factíveis de erros e com isso perdoar.
Há muitos dirigentes de de casas espíritas que já falou para milhares de pessoas, mas não escutou quase ninguém, pois se acha diferenciado ou está muito ocupado com sua caridade de servir materialmente ao próximo.   

Notas:
1. O Caboclo Pena Branca, em algumas de suas comunicações aborda de forma muito interessante a questão da caridade. Ver: Diálogo com os Espíritos.  
2. O Evangelho Segundo o Espiritismo, p. 201.     

3. O Evangelho Segundo o Espiritismo, p.174.  Grifos nossos. 

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